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MEU TRAJETO PARA A ESCOLA

Page history last edited by PBworks 17 years, 1 month ago
OBSERVE O MAPA COM ATENÇÃO.

 

MEU TRAJETO PARA A ESCOLA...

                           "O homem é um  ser  de  palavras.  E ao inverso: toda filosofia que se serve de palavras está condenada à servidão da história, porque as palavras, tal como os homens,  nascem e  morrem.  Assim,  num extremo, a realidade que as palavras  não   podem   expressar; no outro, a realidade do homem que só pode se expressar com palavras."                                                      

 

                                          (Otávio Paz. O Arco e a Lira)

 

                     Procure lembrar da minha voz e me imaginar falando. Este é o relato, não do meu translado físico e da observação da paisagem externa, em si, mas uma visão transversal dessa paisagem diária que está contida nas minhas aventuras com meu entorno...

 

                    O relógio desperta, - ai só mais um pouquinho! Não dá, tem gente importante esperando por mim. Saio da cama, meio sonada, vou à janela da sala, abro uma frestinha e enfio a mão e o antebraço, sinto o tempo. Escuto o movimento, abro mais e coloco o rosto para fora. – Já há gente na rua nessa hora?  Animo-me. Escolho a roupa com cuidado, depois a bijuteria, (pulseira e anel são importantes, encantam e fixa o olhar das crianças enquanto falo com as mãos). Faço minha toalete, preparo um café, que é quase almoço; repito o ritual em frente ao espelho; me despeço da família com algumas recomendações que, com certeza, não foram ouvidas. Estou pronta.

                  Venço as escadas que me conduzem do 4º andar, com fôlego de fumante, e ganho a rua; - que rua o que? Cem metros de corredor até o estacionamento (mas, é todo ajardinado. Sentindo no peito o canto dos passarinhos). Mais a guarita e... Finalmente, estou fora de Casa.

                    Em meio a muitos bom-dias e comentários do tipo: “Tudo de novo? – De novo, Graças a Deus!” Sigo o trajeto rumo ao ônibus que me levará ao bairro da Escola (um depois do meu, longe!). “Dobro a esquina”, mais gente conhecida (Tenho 41 anos, dos quais, moro a dezenove neste local e os outros vinte e dois, morei nos arredores da Escola, praticamente conheço todos “deste mundo”).

                      Do Posto de Gasolina já vi quem está na parada, minha paralela de terceira série e vizinha, Maria do Carmo; uma outra vizinha e conhecida de parada, que nunca lembro o nome, meia dúzia de jovens que estudam na Ritter e que fazem questão de nos cumprimentar com um sonoro bom-dia; e conversamos sobre tudo numa grande algaravia.

                       - “Vem vindo o Vô!”

                      Alguém grita, e os que vão se despedem dos que ficam!

                    O Vô é como chamamos, carinhosamente, um velho rabugento que dirige a linha Circular Zona Sul. E é carinhosamente mesmo, por que estando atrasadas, e ainda no meio do caminho, ele nos espera.

Porém, ao entrarmos no ônibus vem à chamada: - “Professora, a senhora acha que eu sou motorista particular?” E o cobrador retruca (Seu Sidney) – “Não liga, ele ta atacado hoje!”

                    No ônibus, não dá tempo de olhar pela janela, temos que botar o assunto em dia; temperatura, os alunos, os pais dos alunos, os filhos, os bichos, a comida, os maridos, “pam”, chegou à parada, mesmo não dando o sinal o Vô pára e seu Sidney avisa, - “Chegou!”.

                    Temos que enfrentar um semáforo, injusto e mal resolvido. Enquanto isso se vê gente conhecida, de novo, aceno pra cá, aceno pra lá, esquecemos do sinal e nem notamos que já atravessamos a rua. É um pulmão a Zona Sul. Saímos do asfalto e temos pela frente uma longa lomba do tipo: “na descida todo o santo ajuda”, mas, as árvores são lindas e o efeito no chão, escorregadio!

                       Estamos quase chegando, pare a leitura e olhe o mapa de cima.

 

                    Saí de Casa, que fica ao lado de uma praça pulsante de vida. Cheguei na Escola, em frente a uma praça que se exercita todas as manhãs. O Universo conspira. É uma chamada a reflexão, de que este espaço também é meu e que, na verdade, não saí de Casa para ir trabalhar, estou vivendo a palavra, em uma contínua experiência seqüencial de acontecimentos que perpassam as relações humanas nas quais estou envolvida.

                    Entrei na Escola, os bom-dias recomeçam...

                    

                    “É mais fácil pensar que existe uma realidade objetiva que recorto e capto com meus olhos do que a idéia de que também crio aquilo que vejo: um ”olhar de lince” olha fundo, me penetra; “um olhar do coração” acolhe. O dia fica escuro quando ela briga com o namorado. Para complicar um pouco mais, o olhar pode captar o interior subjetivo porque o interior se expressa: “... tudo mudou, mudou profundamente”.Muitas são as metáforas do olhar que usamos no campo psíquico. Chamamos de insight (olhar para dentro) uma tomada de consciência, reflexões, pontos cegos para o que não vemos de nós mesmos.”

                                                                      Ana Marli Schor - ENXERGAR: Um Outro Olhar*

 

Agora, olhe o mapa impresso.

 

 

Comments (3)

Anonymous said

at 4:37 pm on Apr 21, 2007

Mara ...adoravel seu trajeto até a escola, fui juntinho com vc.Foi muito legal encontrar teu pb pois era como eu tinha em mente fzer meu trabalho e agora vc me forneceu mais argumentos...brigadu..

Anonymous said

at 11:32 pm on Apr 22, 2007

Mara querida! Parabéns pela detelhada e bonita descrição do trajeto que fazes até chegar na escola. Confesso que estou impressionada com a quantidade que escreves até porque sou muito parca em meus textos.

Anonymous said

at 2:21 am on May 21, 2007

Olá colega e vizinha!! Ainda não tinha conseguido ver o teu trabalho, tu escreves muito bem, o teu blog está 10!!! Tentei deixar um comentário lá, mas não consegui.Amanhã nos falamos pessoalmente.Parabéns!
Darlene

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